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Você conhece o Eclésio? Me permita apresentá-lo. Ele frequenta a igreja assiduamente. Dominicalmente lá está ele pontualmente no culto. Vai sozinho, ou acompanhado de sua família, leva sua Bíblia, cumprimenta simpaticamente os irmãos, canta as músicas, da ofertas e ao término do culto, retorna para casa, até que venha o próximo domingo.
O Eclésio (nome fictício) faz parte de um fênomeno que podemos chamar de “igrejados”.
Muito tem se falado sobre os “desigrejados”. Estes são aqueles que professam a fé em Cristo, mas não querem qualquer contato com a igreja de Cristo. Alegam experiências ruins com igrejas no passado e, por isso, preferem viver sua fé em sua própria casa.
Esse fenômeno tem crescido tanto que tem até igreja voltada para os desigrejados (sim, é uma contradição conceitual, mas esse tipo de igreja não se importa com coerências!!).
De mãos dadas a esse fenômeno, surge um outro que, a meu ver, é tão danoso quanto o dos desigrejados. Trata-se do grupo que o Eclésio faz parte, os “igrejados”.
Quem são os “igrejados”? Enquanto os desigrejados rejeitam terminantemente a igreja, os igrejados não. Eles amam ter o compromisso de domingo, amam os cultos, as músicas, assistir aos corais, os recitais, ouvir as pregações.
Mas... qual seria o problema? Isso não é bom? Eles não são assíduos na igreja? Vamos lá, a Palavra de Deus vai nos ajudar a entender o ponto crítico a que me refiro nos igrejados. Vejamos Gálatas 6.2:
“Levai os fardos uns dos outros e assim estareis cumprindo a lei de Cristo.”
A expressão “uns aos outros” é importante. Ela é só uma palavra no original e denota reciprocidade. Ela aparece várias vezes no Novo Testamento. Somos instruídos a amar, edificar, acolher, cuidar, ser bondosos, ter compaixão, sujeitar-se, perdoar, consolar, aconselhar, encorajar, orar uns pelos outros (Rm 12.10; Rm 14.19; Rm 15.7; 1 Co 12.25; Ef 4.32; Ef 5.21; Cl 3.3; 1 Ts 4.18; 1 Ts 5.11; 1 Ts 5.15; Hb 10.24; Tg 5.16; 1 Pe 4.9; 1 Pe 5.5).
É essa expressão “uns aos outros”, que Paulo usa em Gálatas 6.2. Nesse texto, o Apóstolo instrui a que levemos os fardos uns dos outros. A que fardo Paulo se refere aqui? No contexto, Paulo se refere à luta entre a carne e o Espírito (Gl 5). Andar em Espírito é a solução para não satisfazermos os desejos da carne. Em seguida orienta sobre como devemos lidar com o pecado dos irmãos (Gl 6.1). Ou seja, o Apóstolo se refere à luta do crente contra o pecado. Todos aqueles que professam a fé no Senhor Jesus travam uma luta contra o pecado que irá durar até que o Senhor venha.
Mas existe uma boa notícia: não precisamos levar esse fardo sozinhos! Uma vez em Cristo fazemos parte da família de Deus. Como família temos irmãos a quem podemos contar para nos ajudar na luta contra o pecado.
Podemos experimentar o auxílio de um irmão quando compartilhamos com ele a respeito de nossas lutas, debilidades e fraquezas, e outros irmãos podem também contar conosco para essa tarefa. Com isso, somos encorajados, fortalecidos, exortados, alertados, uns aos outros.
Muito bem, acho que agora podemos voltar aos “igrejados” e perceber o grande problema com o Eclésio. Uma vez que Eclésio apenas assiste aos cultos, que lugar tem na vida dele o levar de cargas uns dos outros? Como se dá a exortação, a correção de rota, a disciplina, o encorajamento, a oração, a edificação uns dos outros? Não, não é possível! E aí Eclésio perde uma das coisas que é essencial na fé cristã, a mutualidade que é vivenciada somente na família da fé.
Sendo assim, quero encorajar você a avaliar se você tem agido como o Eclésio, um “igrejado”. Se sim, você precisa se arrepender de seu individualismo, e pedir forças no Senhor para se envolver na sua igreja.
Não sabe por onde começar? Segue algumas dicas:
● Chegue antes de começar o culto e... não, não sente, procure alguém para conversar. Interaja!
● Acabou o culto? Não saia correndo. Fique mais. Procure alguém intencionalmente para conversar.
● Valorize os pequenos encontros de sua igreja, como ocasiões que você pode estreitar relacionamentos.
● Ore a Deus e peça auxílio para que você possa compartilhar de suas lutas com alguém da igreja que seja maduro na fé.
● Abra a sua casa. Chame irmãos para tomar um café na sua casa.
● Se interesse pelos outros. Busque alguém para orar, aconselhar, encorajar.
Será que você tem agido como um igrejado? Que o Senhor abra os seus olhos para que veja as grandes bênçãos que temos ao fazer parte da Igreja de Cristo.
pr. Nelson Galvão
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